| NBR 15575: mais prazo para conforto térmico e acústico |
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Brasília, 27 de julho de 2010. | ||
15/Julho/2010Norma de Desempenho pode ser adiada e revisadaCBIC vai propor à ABNT que os projetos sejam adequados à normalização somente a partir de maio de 2011Ana Paula Rocha - PINIweb |
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A carta, que deve ser enviada no máximo em 60 dias, também deve provocar a reabertura da comissão de estudos da NBR 15.575. Antes disso, um grupo de trabalho será formado sob a coordenação da CBIC para realizar análises mais aprofundadas sobre quais impactos a implementação da Norma de Desempenho pode provocar em toda a cadeia produtiva (fabricantes, projetistas, construtores e incorporadores). O grupo deverá apresentar, até 13 de setembro deste ano, um plano de ação à comissão de estudos da Norma de Desempenho. "Na prática, o que aconteceu foi que a indústria da construção civil se mobilizou, levantou uma série de questões contraditórias sobre a norma e agora o CB-02 está elencando os problemas para tentar buscar um consenso", afirma Carlos Alberto Borges, superintendente do CB-02 (Comitê Brasileiro da Construção Civil). "Acho razoável esse adiamento e vamos trabalhar para que a ABNT aceite a ideia", completa. O pesquisador do IPT, Ercio Thomaz, concorda com Borges. "Norma tem de ser consensual. Se alguma parte não está adequada, é hora de acertar". Questionado, porém, do porquê da mobilização do setor somente depois da publicação da norma, opina: "é o mal do brasileiro. A norma permaneceu por dois anos em estágio aprobatório e, com poucas exceções, ninguém correu atrás. Agora que (a norma) entrou em vigor e os problemas apareceram, todo mundo resolveu se mobilizar". Conflitos da NBR 15575 A decisão de levar a solicitação à ABNT foi tomada durante a realização do workshop "Análise Compartilhada da NBR 15575 - Edifícios Habitacionais de até 5 pavimentos - Desempenho", realizado no dia 13 de julho, em São Paulo, quando os participantes, incluindo associações do setor, apresentaram alguns dos problemas da normativa. De acordo com comunicado enviado pela CBIC à reportagem, os participantes do evento reconhecem os avanços que a Norma traz para o setor, no entanto, "o sentimento geral é de que o mercado não está preparado para atender imediatamente vários parâmetros exigidos na Norma. Por isso, ficou entendido que deve existir um prazo maior para a adaptação". Segundo a entidade, os aspectos que mais preocupam são o desempenho térmico, acústico, lumínico e antropodinâmico. Entidades como Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento), Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) e AsBea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) apoiam a decisão da CBIC. Durante o workshop, as associações apresentaram alguns dos problemas da normativa. Entre as falhas, está o conflito da NBR 15575 com relação a outras normas específicas já existentes. Por exemplo, o limite sonoro determinado pela NBR 15575 é de 25dB, enquanto que na NBR 10152 - Conforto Acústico o mesmo coeficiente é de 45dB. Com isso, os construtores não sabem qual recomendação seguir. Segundo a Anfacer, também há falhas nas exigências para os sistemas de pisos internos. Uma delas é no Requisito 9.3 - Segurança na circulação da Parte 3 da NBR 15575, onde o critério frestas diz que "os pisos não devem apresentar abertura máxima de frestas, entre componentes do piso, superior a 4 mm, com exceção de juntas de movimentação da edificação". Para a entidade, no entanto, existem placas cerâmicas que necessitam de juntas de assentamento maiores que 4 mm e, se o usuário não respeitar as juntas recomendadas pelo fabricante, pode haver problemas durante o uso do produto. Soluções Na opinião de Carlos Alberto Borges, entre julho e outubro de 2010, quatro ações deveriam ser executadas: a criação de ambiente virtual para recebimento de contribuições, dúvidas, sugestões e críticas sobre a normativa; execução de ensaios específicos sobre alguns requisitos de desempenho, especialmente acústica, para gerar uma massa crítica de resultados e sugestões para eventual mudança nos níveis de desempenho exigidos; resolução de eventuais conflitos que possam existir entre a Norma de Desempenho e outras normas, portarias, regulamentos etc para garantir segurança na sua aplicação; execução de pelo menos dois workshops temáticos sobre desempenho acústico, desempenho térmico e para esclarecimentos sobre outros temas. "Para conseguir o adiamento, temos que provar tecnicamente para a ABNT quais são os problemas da norma", conta Borges. Caso a ABNT aceite o pedido, será reaberta a Comissão de Estudos para emenda da Norma de Desempenho. O grupo, então, faria uma nova avaliação dos níveis de desempenho de alguns itens, corrigiria erros de digitação e formatação ocorridos na versão publicada e detalharia e complementaria itens genéricos da normativa. Para Borges, ainda, é necessário estabelecer um processo periódico de revisão da Norma de Desempenho, realizado a cada dois anos por uma Comissão de Estudos Permanente. Procurada pela reportagem, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a possibilidade de adiamento de normas técnicas já em vigor não é descartada, desde que haja motivos para isso. No caso específico da Norma de Desempenho, a entidade afirma que só vai se pronunciar a respeito do assunto após receber a carta das entidades e avaliar os motivos lá explicitados. |